segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Eclipse solar total em directo

A NASA vai ter duas emissões em directo do eclipse. Uma pela NASA TV, que podem acompanhar no YouTube e que vos deixo aqui em baixo, e outra pela NASA Edge, que podem ver neste link (infelizmente, não consegui o código html para meter aqui a emissão deste canal).


domingo, 20 de agosto de 2017

Tudo a postos!



Há duas semanas tivemos um eclipse lunar parcial; agora, faltam menos de 24 horas para o eclipse solar total. Nos EUA, está tudo bastante entusiasmado e a NASA tem uma página com toda a informação para acompanhar o eclipse. Nas autoestradas, há sinais para os motoristas tomarem precauções amanhã e não pararem na auto-estrada.

Aqui em Houston, só haverá uma cobertura parcial do sol, cerca de 66%, mas ao ouvir a descrição de um eclipse total, em que a lua cobre totalmente o sol, deixa-se de ver o céu e, consegue-se ver as estrelas e os planetas, fiquei com vontade de ver um eclipse total. Uma das coisas de que tenho saudades é o céu que se vê à noite em Portugal.

Vai haver um outro eclipse total em 2024 visível nos EUA e vou tentar ver esse -- eu e as minhas amigas combinámos fazer uma festa em Austin. Podem consultar o calendário de eclipses aqui.

Os livros da hipócrita epicurista

Uma das piadas recorrentes no meu grupo de amigas tem a ver com a compra de livros de mesa de café ao quilo -- ou à libra, que aqui ninguém usa o quilo. Há pessoas que não têm interesse no conteúdo de um livro, preferindo o aspecto estético. Para elas não há grande diferença entre um livro e uma jarra: servem o mesmo propósito, são ingredientes que se usam na receita de conforto do espaço que nos rodeia, mas não estão activamente associados ao espaço interior da pessoa.

Foi isso mesmo que George Michael confessou quando deu uma tour da sua casa à Oprah Winfrey: os livros antigos foram comprados ao quilo porque ia com a decoração e eram essencialmente mobília. Mas estou a ser um pouco injusta, pois muitas vezes a compra de livros ao quilo é aconselhada pelo profissional de decoração e era mesmo esse o ponto da piada: era acerca de uma senhora cujo decorador a mandou comprar um certo número de quilos de livros para a casa.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Toodles

Dear Steve Bannon,

It looks like you got a "Sincerely, John Kelly" letter. Well, at least you're not alone and you can mooch some support off of the Mooch. Do let us know how that works out for you; but remember, buddy, never say Breitbart, in case Mr. Trump lashes out at you on Twitter. Don't say you weren't warned...

Toodles,
R

P.S. This is how I envision it all went down:

Milagres e percalços

Depois de ler a op-ed da Helena Garrido no Observador e a do Fernando Alexandre no Eco, ocorreu-me que não tenho dito nada sobre a economia ultimamente. Como a Helena Garrido menciona, esta é a terceira "retoma" desde que tivemos de chamar a Troika. Concordo com a apreciação de que uma das causas do bom desempenho de 2017 até agora é o fraco desempenho de 2016 no primeiro semestre. Ou seja, teremos de esperar até ao final do ano para ver a relevância do efeito de um denominador fraco, pois a segunda metade de 2016 foi mais forte. Em 2018, testaremos verdadeiramente esta terceira retoma.

Mário Centeno disse que com crescimento de 2,8% já se consegue cobrir a despesa dos juros da dívida pública. Há quem veja isto como um sinal de força, mas é um sinal de enorme debilidade porque a economia cresceu acima do previsto. Se o bom desempenho do país depende de um crescimento melhor do que o normal, então a situação normal com que se contava era uma de mau desempenho, que nem dava para fazer manutenção dos juros da dívida. Quando é que, nos últimos 30 anos, a economia portuguesa produziu um crescimento de 2,8% sustentável sem recurso a bastante crédito? Não é sustentável, como disse o Fernando Alexandre.

Temos também de enquadrar Portugal na situação que se observa na economia mundial: a economia americana está a arrefecer e o fluxo de capitais está a ir para a Europa e não podemos descartar a hipótese de o euro começar a apreciar significativamente e as taxas de juro começarem a aumentar. Portugal está preparado para uma situação em que todas as estrelas se alinham em favor do país. Não está preparado para situações menos do que ideais, especialmente choques externos, e o tempo de se preparar já passou. Quando a próxima crise acontecer, iremos olhar para trás e ver este período como mais uma oportunidade perdida: passamos o tempo a gerir o país contando com milagres, em vez de gerirmos o país contando com percalços.



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A má educação

No último dia em que estive em Washington, D.C., no Natal passado, fui à Renwick Gallery com a L.; como tal, quando entrei na loja tive de me portar bem, i.e., não pude comprar quase nada. Por um lado, não tinha espaço na bagagem, pois nessa manhã tinha enviado, por correio, três caixas de livros, prendas de Natal, e roupa para casa; por outro lado, estando a L. na proximidade, ela iria dizer-me que eu não precisava de nada do que tinha comprado. Contentei-me em comprar postais e planear exibi-los numa moldura, quem sabe num fundo preto, para pendurar lá em casa -- é uma maneira muito barata de se conseguir boa arte para decorar.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Ao espelho

Desde que Donald Trump surgiu como candidato, os EUA têm andado a ver-se ao espelho com mais atenção. O que aconteceu em Charlottesville é apenas um de muitos episódios, mas por ter uma vítima mortal ganhou uma dimensão muito maior. Talvez a idade me tenha tornado cínica, mas morte era o que eu estava à espera. É sempre preciso mortes para haver mudança porque a maioria das pessoas não quer mudar e muitas pessoas têm dificuldade em visualizar o impacto potencial de algo antes de morrer alguém. Mesmo assim, nem sempre uma morte é suficiente para que as coisas mudem.

Veja-se o caso horrível das crianças que pereceram no tiroteio de Sandy Hook. Como é possível que depois de tal tragédia não tenha havido uma mudança maior no acesso a armas? Nessa altura, era presidente Brack Obama e suponho que isso ajudava a branquear a tragédia, pois oferecia algum consolo às vítimas, às suas famílias, e ao resto da nação. Para além disso o Presidente Obama era a favor do controle de acesso a armas. O Presidente Trump é a favor do que lhe dá mais exposição mediática; o conteúdo do que diz e as potenciais consequências são irrelantes.

Ironicamente, talvez Donald Trump por ser tão bruto e insensível seja mais eficaz a criar mudança do que Barack Obama. O que está a acontecer por todo o lado é um tipo de confronto civil em que facções opostas se debatem, mas não é tão violento como uma guerra civil, o que até é surpreendente num país tão armado como os EUA. Continuo a achar que será mortal para algumas pessoas, pois é essa a lição que tiramos da história.

No This American Life de há três semanas falaram de dois dos confrontos que se estão a desenrolar em pequenas cidades nos EUA; recomendo a sua audição para terem uma ideia da dimensão, ou talvez profundeza, do processo.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O que é a América?

Enquanto houver um americano vivo, a América será sempre uma coisa inacabada.

"Fourscore and seven years ago our fathers brought forth, on this continent, a new nation, conceived in liberty, and dedicated to the proposition that all men are created equal. Now we are engaged in a great civil war, testing whether that nation, or any nation so conceived, and so dedicated, can long endure. We are met on a great battle-field of that war. We have come to dedicate a portion of that field, as a final resting-place for those who here gave their lives, that that nation might live. It is altogether fitting and proper that we should do this. But, in a larger sense, we cannot dedicate, we cannot consecrate—we cannot hallow—this ground. The brave men, living and dead, who struggled here, have consecrated it far above our poor power to add or detract. The world will little note, nor long remember what we say here, but it can never forget what they did here. It is for us the living, rather, to be dedicated here to the unfinished work which they who fought here have thus far so nobly advanced. It is rather for us to be here dedicated to the great task remaining before us—that from these honored dead we take increased devotion to that cause for which they here gave the last full measure of devotion—that we here highly resolve that these dead shall not have died in vain—that this nation, under God, shall have a new birth of freedom, and that government of the people, by the people, for the people, shall not perish from the earth."

~ Abraham Lincoln, The Gettysburg Address, November 19, 1863


sábado, 12 de agosto de 2017

Hã?

Mas dá para prevenir cheias ou não?

ANTES:
"O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse hoje que 'não existe solução' para as cheias na cidade, refutando as críticas dos partidos da oposição que pedem a execução do plano de drenagem."

Jornal de Negócios, 14/10/2014

AGORA:


Boas maneiras ainda

Esta semana falei-vos do desaire do David Brooks e argumentei que havia uma linguagem secreta, em que as boas maneiras à mesa, por exemplo, são uma forma de identificar quem é de certa classe. Hoje, no All Things Considered, o programa vespertino de actualidades da NPR (National Public Radio) emitiram uma história sobre o condado de Palm Beach, na Florida, o mesmo condado onde o Presidente Trump tem um dos seus campos de golfe.

Uma professora de Educação Visual decidiu ensinar etiqueta aos alunos há 12 anos, depois de ler um artigo no jornal em que se referia que uma escola afluente da zona tinha aulas de etiqueta. Acho fantástico não só que ela tenha tomado a iniciativa, mas também a forma como os alunos falam das aulas. Podem ouvir em baixo (podem também ouvir os podcasts diários do All Things Considered, que estão disponíveis no iTunes e em outras plataformas).